terça-feira, 25 de setembro de 2012

Crítica por Kil Abreu. "A FALECIDA" no FESTIVALE.

E na 27ª edição do FESTVALE,festival de teatro de São José dos Campos, "A Falecida" entrou com tudo! Sessão maldita,meia noite e com casa lotada. O Público de emocionou,amou,riu e se divertiu com a gente.
E o crítico Kil Abreu que era o crítico convidado pelo festival,escreveu uma crítica sobre a nossa falecida:


Zulmira vista pelo avesso (ou: como fazer um clássico trabalhar)
Crítica – A Falecida (Grupo Teatro do Kaos, Cubatão)
Kil Abreu

Em um ensaio sobre o filme que Leon Hirszman fez em meados dos anos 60 a partir da peça de Nelson Rodrigues o crítico Ismail Xavier nota uma operação “de exceção”, que certamente dialoga com esta montagem de A Falecida, pelo Teatro do Kaos. Neste ensaio Ismail argumenta que o cineasta fez do texto rodriguiano um “realismo a contrapelo” (A Falecida e o realismo, a contrapelo, de Leon Hirszman – Novos estudos, março de 1998). Explica-se: ao expor o conflito de Zulmira e sua gente, marcado pelo enfrentamento entre moral e desejo, Leon faz uma abordagem cinematográfica mais próxima do sério e do dramático, com gosto por revelar através da câmera a experiência interna, existencial, dos protagonistas. Este é  um ponto de vista sobre o texto que se nega a pactuar com o que Ismail chama “a desqualificação geral do mundo das personagens própria às versões tragicômicas de Nelson Rodrigues”. 
Fica claro no decorrer do argumento que o que ele chama “desqualificação” tem a ver com o seguinte: a visão rodriguiana sobre as personagens é sarcástica, irônica e, no limite, enxerga o suburbano como objeto do fatalismo. De fato, na peça as personagens não demonstram nenhum movimento na direção de transcender a realidade estreita em que vivem. A melhor ilustração é sem dúvida Tuninho, que para Nelson personifica ao limite essa incapacidade de avaliação da vida. Tuninho é o mais alienado entre todos os personagens – as situações acontecem e se avolumam sob o seu nariz sem que ele perceba. É preciso que alguém (o amante da própria mulher) o informe, ao fim, “como o mundo é”, como as coisas são, para que ele se posicione. 
 A versão filmada por Leon, porém, olha os personagens como seres inteiros,  com a consistência existencial que  não faz parte da peça e que tece o fio de esperança em uma “virada” para fora da situação de alienação. Não por acaso é o mesmo Tuninho que o cineasta escolhe para fazer um primor de inversão se tomarmos a peça como referência. No filme, na cena do Maracanã em que Tuninho joga o dinheiro para o alto, acentua-se, através de planos em close, não só  a ira da vingança (o que reduziria o personagem ao campo do mero julgamento moral), mas também a dor funda que, intuímos, faz a ponte entre o ressentimento e a possibilidade de o sujeito conseguir, enfim, se enxergar por inteiro, para além daquela situação pontual. É uma iluminação ampla, grave, dolorosa, sobre o lugar da derrota íntima, mas também social. Um lugar de auto reconhecimento de onde se pode hipoteticamente partir para uma atitude diante do que nos parece imutável, imexível. 
A relação do filme de Hirszman com a montagem do pessoal de Cubatão não será gratuita se olharmos os deslocamentos que ela também provoca. Ainda que por meios diferentes e em direções também diferentes o ponto de chegada – acidental ou não -  foi o mesmo:  levar Nelson a falar pelo seu avesso, muitas vezes por fora da ordem esperada pelo próprio autor. E assim tornar produtivo este hoje já “clássico” do teatro moderno brasileiro. Resta verificar então que tipo de produtividade acontece na montagem e o que se pode ler nela.
A montagem que esteve no Festivale, se vista sob o aspecto estrito do rendimento “técnico” pode parecer ainda irregular: é um grupo jovem,  com os seus meios expressivos ainda sendo afinados . A maioria em geral não tem o “physique du role” (adequação entre o tipo físico do ator e a personagem) esperado. Entretanto, há também a compensação do vigor juvenil que faz muita diferença no espetáculo;  e a eventual falta de ossatura  em uma ou outra passagem é bem compensada pela estrutura “de trupe” que sustenta as cenas.
Sem dispensar estes aspectos  mais particulares, porque deles dependem os sentidos do que está sendo articulado no palco, o mais importante e o que faz deste um trabalho que constrói sua própria identidade é a contracena da montagem com o autor. Não há nenhuma dúvida desde o primeiro momento que o grupo de Cubatão não está apenas interessado em prestar uma homenagem a Nelson Rodrigues. Querem colocá-lo no centro da roda,  fazê-lo  dançar o funk do Timbira – e mais: a favor das suas questões (as do grupo). Uma postura provocativa antes de ser laudatória. 
Mas, intenções assim ou assado sempre há. Resta saber então que questões são estas que redimensionam a dramaturgia e quais foram os meios encontrados para formalizá-las.  No bate papo depois da apresentação um dos atores deu a chave quando comentou a proposição inicial dos encenadores (Nelson Baskerville, Sandra Modesto e Marcos Felipe) : a de que o grupo não deveria se preocupar em “montar” a peça e “compor” as personagens, mas simplesmente arrumar os meios para contar  a história daquela mulher excêntrica, atormentada com a sua imagem diante dos vizinhos a ponto de se empenhar na construção da própria morte. Morte que deveria ser  a coroação de um desejo : o de trocar o  “ser” de uma vida miserável  pelo “parecer” aquilo que ela nunca foi.  De fato, é mesmo a ideia de narração  sugerida pelos encenadores o que articula, dá a forma e em muito favorece o ponto de vista a partir do qual o espetáculo “se conta”. 
Então já por princípio, para que a narração se firme é preciso que a estrutura de cena fechada, que nos diz sobre um mundo autônomo em si mesmo, venha a baixo. Derrubadas não só a quarta, mas todas as  paredes, a cena encontra a plateia sem mediações, em fala direta. E como efeito lateral passa a dispensar (ou a reconsiderar em novas bases) as convenções de uma cena próxima do realismo: o elenco coringa - os atores circulam pelas personagens; as cenas são costuradas livremente com intervenções musicais, suspensões, comentários, danças, enfim, um arsenal de procedimentos que por assim dizer viram a peça pelo avesso. E para quê? Para nos falar que aquele drama, em princípio excêntrico e recortado, tem raízes mais fundas e mais horizontais do que supúnhamos. E que nós, que não somos simples voyeurs da ação, que também estamos comprometidos nela ali, no meio da praça,  eventualmente temos chance de sermos nós também Tuninhos e Zulmiras. É quando o espetáculo se libera parcialmente dos limites pensados pelo autor (os de relações particulares, pessoais, morais) para, a partir dele, dimensionar aquelas questões em outro lugar, ainda mais próximo da vida social e da dimensão política que ela comporta.
Dadas estas coordenadas o teatro do Kaos conduz o trabalho para um campo ainda mais específico: do subúrbio carioca do texto original a peça é levada a falar sobre a própria realidade certamente vivida ou observada por aquela trupe de artistas e por muitos de nós, em aproximações simbólicas que não perdem de vista o universo de origem, mas como que instituem nele  o sentido particular que interessa ver representado. Por exemplo, a tuberculose de Zulmira ganha em cena a referência a um aguaceiro permanente que tanto remete ao universo da personagem como ao mundo submerso (por vezes literalmente) que uma parte da população de São Paulo já assimilou como algo natural em suas vidas. A presença de uma trilha que não por acaso faz o texto dialogar com formas musicais populares como o funk; a ampliação nos veículos de comunicação de massa como o rádio e a TV ; e a referência às relações entre religião e dinheiro são alguns dos tijolos que ajudam a construir este quase segundo texto, o da cena, que vai se moldando criticamente sobre o primeiro, sem perde-lo de vista. É um ajuntamento de referências deliberadamente excessivo, como excessiva parece ser a   própria vida na sociedade da informação.  
Os procedimentos são perigosos - pela estatura e qualidade do autor e pelo alto risco dos cotejamentos e das comparações,  que poderiam perfeitamente cair em uma leitura rasa do material. Felizmente o resultado é uma colaboração não reverente, porém sustentada, poeticamente factível. Nesse sentido talvez o espetáculo (hipótese, a pensar) carregue uma contradição importante: se vista no conjunto a montagem  em certa medida atropela – e não sem razão -  a máxima repetida pelos atores. Esta máxima nos diz sobre a felicidade que só é possível na morte. Aqui há então uma remissão ao fatalismo que fundamenta a peça e que no espetáculo salvo engano aparece francamente desafiado. 
A contradição estaria no fato de que não só no que se diz, mas, sobretudo no como o Teatro do Kaos o diz, a frase soa como apêndice meramente retórico. É que em cena o que se vê é uma vitalidade, uma ousadia, um gosto pela vida e pela mudança que tornam explícita  uma perspectiva mais ambiciosa que esta. De todo modo o grupo de Cubatão e seus encenadores/provocadores criaram uma montagem que demarca  diferença neste Centenário. É um trabalho que dialoga bem com Nelson Rodrigues, e o faz de frente.  Não apenas ouve o autor pernambucano, também diz a ele umas tantas e boas coisas importantes.    


Todos nós do elenco e técnica do espetáculo estamos muito felizes com essa crítica de uma pessoa tão importante no universo teatral. Obrigada FESTVALE e KIL ABREU.

Ação da TV TRIBUNA

Carminha  e Nina visitaram agências publicitárias em Santos - SP , para mostra a grande audiência da TV Tribuna,tv filiada a Rede Globo.
Com produção da AT Comunicações,fui contratada pra fazer a Nina,personagem da Debora Falabela na novela "Avenina Brasil".
Foi muito divertido e prazeroso de fazer!
Passamos um dia inteiro fazendo cenas e entregando presentes da TV Tribuna para as agências.
Fomos muito bem recebidas e o público adorou! Valeu TV Tribuna.



sábado, 23 de junho de 2012

Workshop de Figurino e Maquigem p/ audiovisual

E do dia 19/06 ao dia 22/06 a Querô filmes junto com o Sesc fizeram um workshop de figurino e maquigem pars audiovisual,e eu participei :)
Nos dois primeiros dias foi voltado ao figurino,com Kadu Verissimo ministrando as aulas,foi uma experiência incrivel!! Conhecemos vários truques e artimanhas do figurino e no segundo dia montamos nosso próprio figurino,atraves de alguns texto que foram entregues aos grupos e tinhamos que montar o figurino de alguma personagem. Fique muito feliz com o resultado de todos e principalmente do meu grupo.
E nos últimos dois dias foi voltado a maquiagem,com Cícera Carmo ministrando as aulas. Também fizemos as maquiagens de um roteiro de curta metragem infantil e bem lúdico. Foi bem interessante também :)
E mais oficinas estão por vir...

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Espetáculo "A Falecida"


Com direção geral de Nelson Baskerville e direção de Marcos Felipe e Sandra Modesto,estreiou em 10 de março de 2012 com temporada na cidade de Cubatão até 01 de abril de 2012.
Uma obra de Nelson Rodrigues,mas feita para os dias atuais e o que é melhor: em uma favela!
Em vez de times de futebol do Rio de Janeiro,colocamos times do estado de São Paulo mesmo (Corinthians e Santos) e a protagonista,Zulmira,mora em uma favela de Cubatão.
O espaço onde se realiza esse espetáculo não é comum,com uma concepção de espaço alternativo,chovendo o tempo todo nos atores,figurinos com capa de chuva,microfones,Tv...enfim,montagem bem contemporânea de Nelson Rodrigues.São três atores que revezam o personagem Tuninho e três atrizes que revezam a personagem Zulmira.
O espetáculo fez muito sucesso nessa primeira temporada,pois agora vamos circular por 15 cidades em 5 estados do Brasil.
E nesse espetáculo também foi minha primeira experiência com figurino,pois tomei a frente de pensar nos figurinos das personagens. O figurino é todo em cor de terra,pois como é uma favela,tem muita lama pelo motivo de chover o tempo inteiro e ainda tem as capas de chuva por cima da roupa,já nos pés todos os atores usam galochas pretas.
Com patrocínio da Petrobrás,esse espetáculo é a conclusão do "Projeto Superação" curso profissionalizante para atores. (Cidades que o espetáculo vai se apresentar: Cubatão,Santos,Guarujá,Praia grande,São Sebastião,Mongaguá, Peruíbe,Mauá,São José dos Campos,São Bernado do Campo,Teresina,Curitiba,Rio de Janeiro,Brasília e São Paulo)


                                                             Minha personagem: Zulmira


                                                            Os três Tuninhos e três Zulmiras



terça-feira, 24 de abril de 2012

Curta Metragem "Cubatão nota 10"



No final de 2011 e começo de 2012 atuei no meu primeiro curta metragem com direção de Roberto Marchese.
Patrocinado pela Carbocloro e com lei de incentivo a cultura,esse projeto foi feito para crianças das escolas municipais de Cubatão. Um projeto pra concientizar as crianças sobre o meio ambiente em que elas vivem e mostrar as belezas da cidade.
Então minha primeira experiência em curta metragem começou muito bem! Foi fantástico,o resultado ficou maravilhoso e está fazendo muito sucesso com as crianças.
O filme conta a história de uma menina que mora em Cubatão mas não gosta de cidade dela. Porém,a professora manda ela fazer um trabalho em vídeo sobre Cubatão. E nesse meio todo ela acaba conhecendo 2 caranguejos que são visitantes do blog dela e ela acaba descobrindo uma cidade que ela não conhecia,com tantas belezas.
Gostei muito desse trabalho,a produção foi incrível,as imagens...ficou tudo muito encantador.
Uma linguagem educativa,porém com muita qualidade.
                                   
                         
Minha personagem: Jenny


                                                                             A equipe




sexta-feira, 20 de abril de 2012

Espetáculo "Querô - Uma reportagem Maldita"


O processo de ensaio e preparação desse espetáculo durou 1 ano. Com direção de Douglas Lima e estreia em 24 de setembro de 2011 e seguindo temporada até 31 de outubro de 2011.
Obra de Plinio Marcos,conta a história de um menino,filho de prostituta,sem pai e em condições miseráveis se torna um marginal. 
A parte mais difícil de todo o processo era o fato do elenco ser muito jovem e fazer as meninas vivarem prostitutas reais,não foi muito fácil. Porém com muita dedicação,conseguimos fazer uma espetáculo brilhante,moderno e muito crítico.
Fiz a personagem Ju,prostituta,melhor amiga da mãe do Querô (Leda) e a única pessoa que cuida dele depois que mãe morre. Uma personagem forte,intensa,corajosa e desafiadora para mim. Por que no auge dos meus 18 anos tive que interpretar uma prostituta que sofre muito e no final do drama está com quase 40 anos.
Mas fiquei muitíssimo feliz com o resultado e gosto do público!
Existia dois Querô,que revezavam a cada apresentação,não ficamos com palco italiano e mudamos a concepção do teatro em que apresentamos para pláteia no palco e palco na pláteia,ou seja,tudo junto e misturado rs.
Usando e abusando do coro,da iluminação,cenário com rodas,figurinos ousados,e realismo fizemos sucesso com a curta temporada desse espetáculo que foi uma escola para minha vida profissional.


Minha personagem Ju.


                                                                        Ju e Leda.




quinta-feira, 19 de abril de 2012

Espetáculo "Este ovo é um galo"




Espetáculo dirigido por Douglas Lima e Lourimar Vieira,estreia em 16 de setembro de 2010.
Uma obra de Lauro César Muniz,a história é como se fosse uma novela mesmo,com todos as tramas de cada personagem,porém um núcleo só!
Conta a história de uma cidade no interior de São Paulo com divisa em Minas Gerais,na década de 30 em plena revolução. E no meio disso tudo existe um amor entra primos,Ritinha (minha personagem) e Zé Antônio.
Esse espetáculo rendeu muito aprendizado e crescimento pra mim. Pois foi o primeiro espetáculo com linguagem realista que eu atuei.
Além de toda experiência que adquiri,fui indicada para melhor atriz revelação no FESTAC (festival de teatro de Cubatão).
Fez grande sucesso de público,pois era uma comédia gostosa de se assistir e com todas as tramas para se identificar e se entregar.



                                             Ritinha e Zé Antônio na foto.